quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Codinome Cazuza


Muito prazer,me chamo Cazuza
Seja bem vindo à minha trova noturna,
Bem vindos amigos,beijem-se todos
Lavem os pés um do outro,
pois somos iguais.
Veja quem eu sou,deixe que eu diga
Sou cazuza em tudo o que faço,
Sempre tive aquele incômodo
de ser mudo,de ficar careta,burguês,
De ser feito de tolo entre tantos espertos.

Sou feito de gente,sou tua carne exposta
Sou teu cheiro,teu gosto,o teu tesão,
Mas não sou objeto,não te pertenço
Sou ao exagero um tanto propenso,
A virar a taça,a cabeça e a garrafa.
Sou a lomba,sou aquilo que te prende
E te liberta da lavagem cerebral que te fizeram
Que te impuseram a acreditar em tanta bobagem.
Seja bem comido,alimente-se e durma,
Faça parte de seu próprio mundo,
Não se exclua,não hiberne:
Cazuze! Cazuze!

Não tenho nome,eu sou você
Sou mulher,sou homem
Eu sou o que você come
Sou o que sempre quis fazer;
Sou o que você faz quando decide ser,
e não só seguir sem nunca ver a direção.
Deixe que você me veja no teu espelho
Nos teus olhos bem abertos,no teu corpo nu.
Somos lindos pois estamos vivos
E somos nossos próprios gurus.
Chame-me de louco,pois não tenho nome,
No meu exagero tenho apenas um codinome,
E é Cazuza!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Aos Jovens


Olhem para a vida com olhos curiosos
Não evitem pensar sobre tudo,
Antes busquem entender.
Façam algo proveitoso,
Aprendam a ler de verdade,
e não só por obrigação.
Olhem novamente para a vida
Com olhos de adulto,
e façam acontecer tudo o que quiserem
Contribuindo para o bem de todos.
Não deem tanta atenção à opiniões,
mas saibam ouvir bons conselhos.

Hoje em dia qualquer coisa é música,
Não aceitem esse conceito,
descubram a beleza da letra
nas músicas certas,
e não somente o ritmo dançante.
Criem suas canções!
Quando vocês aprenderem
a pensar e a viver por si mesmos,
a vida terá um significado.

Cotidiano


Na sua rua um bêbado
Nas nossas ruas,chuva
Na sua calçada um mendigo
Em nossas calçadas,buracos.

Na sua chuva esperança
Em nossas chuvas,espera;
Na sua pista asfalto
Nas nossas pistas,crianças já
nem tão ingênuas.
Na minha face tristeza,
Na sua face espanto.

Ao Pé do Mangue



Como falar de algo que não se conhece,
falando só de ver,só de observar?
Enfim,aqui vai a minha observância:

No mangue,pedaços vivos de gente,
(pois só se veem os braços.
As costas e as pernas estão cobertas pelo barro.)
Colhe-se vida,colhe-se alimento,
Os aratus e o que mais der pra pegar.
Correm os goiamuns,taca-se o jereré na lama
Cava-se fundo e puxa.
Lá vem uma onda de siris ensopados e sujos.

Pelo que vi,hoje tem também camarão pra se vender.

Dá-me Mais Um Sarau!


Dá-me mais um sarau,ó vida
Pra que eu possa recitar minhas poesias
nesse mundo tão meu
que simplesmente eu não conhecia.
Dá-me mais um sarau,
um violão e um grupo de ouvintes atentos
mesmo que seja só desculpa pra beber!

Dá-me um cigarro também
e canetas,e mais papel
para que eu os mostre a minha poesia,
que tem tudo a ver com todos
e é da mesma medida que a vida
que levamos.
Dá-me mais um sarau que eu falo,
eu berro e cuspo na cara de cada um
a minha verdadeira saliva.

Que a vida tenha dó de mim
e me apronte mais um destes,
Pela falta de um deus,dá-me mais um sarau!

Canibal de Poesia



Vivo de devorar poesias alheias,
Devoro todas as que encontro e admiro,
Lendo-as atentamente e escrevendo-as
Em meus cadernos.
Assim,tendo-as no papel e na memória,
Fortifico-me a devorar a sua essência.

E como canibal creio receber o poder
E a sabedoria de minhas vítimas.
Do meu canibalismo é que saem
As minhas mais belas poesias.

Tudo Americanized


Essa mania americana
Tá pegando no Brasil
Todo mundo tá falando
Que churrasco agora é grill.
Todo mundo tá assando
suas tripinhas na grelha,
temperando com o dólar
Que dá o gosto na panela.

Com essa tal globalização
Dizem quer o mundo tá unificado,
Mas o que rola é que o Inglês
É o idioma mais falado.

Câmera de pc é web-cam
Um lanchinho é fast-food
Comer fora só no self-service
Sanduíche é cheese-burger
Cachorrão é o hot dog;
O que é da moda é fashion
Carinha feliz é emoticon
Macarrão agora é nuddles
Despedida é bye-bye.

Churrasqueira já é grill
Festa privada é insight
Comida pra gordo é light
E pipoca é popcorn
Já tem até mini chicken
Pra comer com orange juice!
Está tudo americanizando
E,de tanto americanizar,
Até a nossa Amazônia
Eles já estão chamando de lar.

O Meu Último Desejo



A luz me cega,o choro me vem
Eu nego esconder alguém dentro de mim.
Sou vazio dentro de um táxi cheio
Sou vazio num táxi para as nuvens,
Sinto um arrepio na espinha.
A vida me deu um último desejo,
-vida mesquinha!por isso eu não desejo a minha!

A vida me deu um último desejo:
de ser um passarinho.
E eu voaria bem alto no céu
E pousaria tão leve no chão...
Mas atirariam em mim,
Me fariam perseguição
e eu seria o último exemplar
de uma ave em extinção.

A vida me deu um último desejo:
De ser um peixe dourado;
e eu nadaria contra a corrente
e mergulharia até o sol nascente...
Mas eu seria comida de gente
e eu morreria na poluição
(ou num arpão!)
e eu não poderia viver
em rio algum.

O mundo é mesmo cruel,
e eu sou pessimista com os seres
humanos,pois fazem seua planos
pondo sempre em risco a natureza.
E por isso,eu já não desejo o
meu último desejo,não!

Os Argonautas


A via-láctea me chama
Cada recado é deixado à uma nação
Todos os povos sabendo:não há recurso
Que permita ao homem viver pra sempre
noutro planeta...
mas mesmo assim vamos tentar.

Quando a Terra der seu último suspiro
Vai ter gente morando bem longe,
Vai ter gente pensando em comer pipoca
Na primeira fila do cinema,
E o filme é o fim do mundo.
Mas o milho não existe mais,
O que existe é o cosmo,
somos cosmopolitas e argonautas
Não precisamos dormir para sonhar.

Vou pedir lazanha no jantar
Vou respirar outro tipo de ar
Não liga o fósforo agora
que o gás vai escapar.
Vamos torcer por outro Big Bang
E vamos proliferar,
só que dessa vez vamos evoluir
de uma massinha de modelar!

Me Digam Me Provem Me Tenham



Viver por uma causa
Inda que a calça não sirva,
Folgada ou apertada
-isso nunca!
Isso tudo é muito bonito
A garra,a força,a vontade de mudar
Mas,ainda assim,se estiver errada
a causa não irá calçar.

Estudar,pesquisar
e não só se engajar,
examinar se é calça mesmo
ou se somente quer causar.
Se for causa boa,decente
Haverá um grito a mais
No seu grupo militante,
Se não for um mal pensante
Se não for um som a mais.

Viver por uma causa
Se a causa é justa,
Me gusta essa causa
e calça nos meus pés que buscam
Caminho de protesto e força
E luta revolucionária!

Balada do Beija-Flor


Mordendo com força a tampa da caneta
Sempre quis viver tanto
Sem saber
Que a morte é suculenta.

Eu mudo cada vez que escrevo
E quando canto eu vivo melhor
Sou um passarinho,o seu beija-flor
Te encho de carícias no meu quarto.

Eu vou morrer com gosto
de Cazuza na boca
Eu vou morrer com gosto de Cazuza
Porque ele é o único cara que me faz querer
viver.

Eu curto e me divirto
Eu mostro o que tenho pra dar
Eu grito,faço escândalo
Pra você não deixar de me notar.

Está mais do que na hora
de você acordar
E me acompanhar nessa dança
Notar que eu não sou você
nem sou mais sua criança.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Diga SIM ao Seu Petróleo



O ferro,o manganês,o ouro e o nióbio
Tomaram pra vocês,nos deixando o opóbrio,
Nas não vão repetir,pois é nosso o pré-sal
Vão ter que engolir:Petrobrás estatal!
Nós vamos agir em mobilização
E vamos exigir o controle nacional
Nosso país é rico,é rica a nação
E o petróleo é nosso,reestatização!

Queremos o Brasil livre da exploração
Todo esse poderio das multinacionais
Movimento popular pra não deixar em paz
Não vamos engordar seu monopólio capital.
Ó lá os EUA de olho no petróleo!
Escola,hospital,emprego,moradia
O pré-sal poderia trazer pro nosso povo
Mas com EUA de olho terá leilão de novo.

O povo quer CPI no leilão da Nova I *
Assalto ao patrimônio,o país está ciente,
Não a privatização,eu quero é revogação
Reestatização,Brasil auto-suficiente!

(Diga sim ao SEU petróleo,
pela revogação da Lei 9.478/97)

*Nova Iorque (New York)

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Maldito Dinheiro



Maldito seja o dinheiro
por ser tão "bendito"!
Precisamos para tudo
ter antes o dinheiro.
O nosso benfeitor e
maior trapaceiro,
pois dele precisamos
e ele nos escraviza.

Se comida-dinheiro;
se bebida-dinheiro;
se saúde-dinheiro;
se dinheiro-dinheiro!

Antes da noção de mundo
lá bem escondido,
já estava sendo inventado
para nossa mendicância,
cegueira e prostração:
o dinheiro e a falta dele.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Eu Quero é IR!



Já arrumei as malas,
eu vou viajar,
rola bronca lá em casa
mas não quero blá blá blá.

Eu quero ir pra bem longe
aproveitar a paisagem
Conhecer novas pessoas
Desbravar novos lugares.

Porque só tevê não rola
De casa pra escola,
Da pracinha pra casa
Quem vive assim enrola
E aí a vida acaba.

Não dá pra viver sentado no sofá
Sempre ouvindo grandes discussões
Se sentindo inútil como viúva de luto
O meu sonho é conhecer quase todas as nações!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Jingle Bell,ou Boom Papai-Noel!

Hoje me disseram da chegada do coroa
O velho capitalista,o velho papai-noel,
Mas aqui ele não vem,pois não tenho chaminé,
Minha meia tá furada e eu como de colher!
Aos ricos ele vai contemplar,
aos pobres,só a uns cinco ou seis,
e assim mesmo pra deixar de espernear.
-Me desculpe,mas o rico tem a vez!

Todos sentarão no colo do velhinho
e a foto sairá bonita,
o sorriso da criança será visto na propaganda.
E só na noite de natal é que virá a real,
prato vazio nem presente:lágrimas no travesseiro.
(Por que será que eu não tenho dinheiro?)

Sabe,eu até costumava crer que enquanto eu dormia
Algo mágico se fazia num trenó visto no céu,
Mas aí a vida me mostrou que bom mesmo
é a mão vazia
que no cafuné me acaricia,
e não promete um mundo Jingle-Bell.

Esse mesmo mito de natal
que te faz trabalhar o ano inteiro
pra comprar ao menos um único brinquedo,
pro teu filho não ser tão excluído,
já que tudo pro pobre é proibido
e que o coroa só virá ao rico;
esse mito de magia e amor
que transforma afeto em objeto
que faz correria e brigas nas prateleiras
que desperta a competição
e não passa de esbanjação.
Que machuca o sonho da criança
que,desiludida,perde as esperanças
e crescendo vê que tudo é capital,

Esse Bom Coroa do natal
é um fantoche para a burguesia
que na barba,casaco e ho-ho-ho
te diz:finjam que o mundo melhorou,
fechem os olhos cantando a canção
pra sair bonito no outdoor
já que aumentaremos os preços
e pintaremos uma fachada azul
com a ordem da imagem fictícia:
Merry christmas,tudo pleno nesse dia!

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Como a Vida Deve Ser


É isso mesmo?É a vida assim?
É como se eu já estivesse bem e
somente eu não percebesse.
Tenho então que me acostumar,é isso?
Ver se a nova poltrona serve e relaxar?

É só isso mesmo?
Como a vida deve ser...
Uns poem a felicidade como alvo.
Mas...

Devemos fazer seu sentido então.
...
...
É como se eu já estivesse lá
e somente eu não percebesse isso.


(Agora eu tenho que ligar o rádio
e ir tomar banho...feliz,talvez.)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Procurando Trampo


Já tive dias de não fazer nada
Já tive dias de nada pra ver,
Eu inventava até que trabalhava
Mas é que eu vivia a tarde inteira na tevê.

Não é que eu fosse irresponsável,
mas é que faltava orientação
Adolescentes perdem muito tempo
Numa vidinha só de diversão.

Nada pra fazer,lá vamos nós pro computador,
Fiz um novo mp3,vamos ouvir um som,
Pede a alguém pra comprar o pão
que hoje tem filme inédito na televisão.

Não tenho emprego,até já fui atrás,
Mas é bom que nem me chamem
Pra não atrapalhar no estudo do vestibular.

Assim é muito fácil:não trabalhar
Não ajudar a gente a sobreviver
Tá na hora de fazer tudo mudar
Parar de viajar,poupar grana
e começar a render.

Homenagem:Álvares de Azevedo

Homenagem:Álvares de Azevedo

Homenagem:Anne Frank

Homenagem:Anne Frank

Homenagem:Cazuza

Twilight

New Moon

Eclipse

Breaking DowN